
A segunda onda da internet, chamada por Tim O’Reilly de Web 2.0, possui muitas diferenças da primeira onda. Entre as mais importantes, a possibilidade de colaboração, a facilidade em criar conteúdo e a comunicação de via dupla entre empresas e clientes.
O rádio foi uma grande revolução da comunicação de massa. Durante décadas foi a mais popular e disputada, ditando a vida das pessoas com notícias e entretenimento, concentrando a maior parte da verba publicitária. Aí veio a televisão, e muitos acharam que o rádio iria morrer. Mas ele sobreviveu, continuou firme e forte. Nos últimos anos, com a internet, muitos também disseram: o rádio vai morrer. Ainda mais agora, que o compartilhamento de arquivos mp3 é facílimo e as conexões estão cada vez mais rápidas e baratas, possibiitando o streaming de áudio.
Mas, todos ignoraram as características que o rádio tem em comum com a web 2.0, justamente as características que mais atraem as pessoas para as mídias sociais na grande rede.
Queen “Radio Ga Ga”
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O rádio sempre permitiu a participação do ouvinte, ou seja, era a mídia de massa mais interativa antes da internet. As rádios sempre permitiram visitas aos estúdios, fizeram sorteios de ingressos para os ouvintes, montaram rankings com as músicas mais pedidas… tudo muito colaborativo.
Mesmo que o usuário tenha um iPod com 32 GB de músicas, possa escutar automatizadas rádios online (que permitem pausar e avançar as músicas), ainda assim, as rádios convencionais terão mais valor. Por quê? Porque escutar música assim é frio, mecânico, impessoal, individual. Por isso, o fator mais precioso que o rádio tem em comum com a web 2.0 é o fator HUMANO.
O usuário sabe que por trás das músicas tocando na rádio existe uma equipe trabalhando, com um locutor bacana falando pra ele e para todo mundo que está ouvindo junto com ele. Além disso, não são apenas músicas e anúncios: você tem os comentários dos locutores, notícias, recados dos ouvintes… E sabe que, junto com você, existe um monte de gente escutando e curtindo junto. Você não está sozinho.
Você pode até ter lembrado do serviço Blip, que permite aos seus usuários enviar músicas num “playlist social”. Sim, é muito social, muito humano, mas não há personalidade, não há hierarquia, não há previsibilidade. As rádios desenvolvem personalidade própria, ou seja, o ouvinte conhece suas vinhetas, sabe o tipo de música que vai ouvir, conhece os locutores pelo nome e reconhece sua voz. Sabe que a equipe da rádio pode contar novidades do cenário musical que não teria acesso com seus amigos.
No Blip, as pessoas conversam e prestam homenagens, mandando músicas como bem entendem. Ou seja, se você adiciona alguém que mandou duas músicas dos Beatles, mas na sequência ele pode mandar um sertanejo ou um funk. É imprevisível! A imagem que as rádios criam são tão fortes que elas são realmente personificadas, ganhando um papel de companheira na vida dos ouvintes.
The Buggles “Video Killed the Radio Star”
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Sendo assim, podemos concluir que escutar rádio continua sendo uma delícia e que enquanto as pessoas gostarem de fazer as coisas juntas, o rádio, assim como a internet, não vai morrer.
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Minha rádio favorita? Kiss FM (site)(siga no Twitter)
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Grande Atila!
Cara, vc fez uma analise muito boa e chegou a uma conclusao definitiva. Seu texto foi bem potente. Eu concordo plenamente. Eu passo boa parte do meu tempo no transito, e raramente consigo ouvir cds. Quando vc ouve radio, sente que nao esta sozinho no mundo. E quando toca aquela musica que vc nao ouvia a muito tempo, ou te lembra de algo, assim, de surpresa, vc percebe que suas midias digitais nao sao tao emocionantes.
enfim, parabens pelo texto e pelo novo lay do blog!
Abraços!
Fe
Acho que decretar morte as “mídias” seria um grande erro, acredito e insisto que as mídias tem como tendência se agregarem. Hoje o rádio não vive sem a Internet, pois a interatividade é ainda maior, com a participação direta do ouvinte, com respostas mais rápidas da opinião pública, vide as transmissões esportivas. Os deficiêntes visuais são uma grande parcela da audiência é só conferir sua participação nessas festas promovidas pelas rádios.Só resta agora cobrar que os locutores deixem ser os “sabe-tudo” e invistam mais em sua formação ,para que façam uma rádio mais inteligente.
Não sei como alguém tão jovem consegue concatenar, ter a visão e sensibilidade que seu texto demonstra. A capacidade analítica de fatos corriqueiros, mas que ninguém pensou antes, é que determina um gênio. Você é genial! Era exatamente isso que sentia minha vó qdo não havia a TV. É isso que sinto hoje ouvindo a Kiss e “trocando” com o locutor, opinando no twitter e ouvindo minha opinião ser transmitida a milhares de pessoas. A gente se gente incluído. Sente que participa. O rádio é uma mídia social, só que ainda não sabia, antes do Atila dizer pra todo mundo… Como diz Fritjof Capra: somos todos parte de uma grande rede. estamos todos entrelaçados… ainda bem!
Texto fantástico. Abordou muito bem a questão da colaboração e participação “in loco”, tanto na internet quanto no rádio. Esse conceito é o carro chefe das comunicações e, quem não se adequar daqui para frente, está definitivamente por fora!
Big up for Atila!
Seu texto foi muito rico em informações, criativo, verdadeiro de leitura muito fácil e agradável!
Continue sempre assim
Grande Beijo