Archive for the ‘Redação’ Category
Este anúncio provavelmente é do tipo “tapa-buraco”, quando temos uma página sobrando para fechar a revista. Seja por falta de matéria, seja por saída imprevista de um anunciante. De qualquer forma, o que me chamou a atenção foi a pobreza do texto. Quem fez este anúncio? Teria sido o núcleo jovem da editora? A agência Salve?
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Sejá lá quem criou esta peça, a mente criativa provavelmente não é de um redator publicitário. Qualquer redator que não tenha comprado seu diploma de publicitário sabe que não se deve utilizar a palavra “não” na assinatura, a frase imperativa, o call to action, a frase em que dizemos diretamente ao consumidor o que ele deve fazer.
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Algumas teorias afirmam que o cérebro tem dificuldade em entender o “não”. Imagine se alguém fala para você “não pense na cor azul!”, você já pensou. Ou, entre alpinistas: “não olhe pra baixo!”, já viu essa cena? Da mesma forma que não podemos criar títulos interrogativos com resposta “sim” e “não”, do tipo “você não adoraria passar suas férias nesta linda praia?” – o target pode pensar “não.” e ignorar o anúncio.
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Sendo assim, “Não deixe de ler” pode ser interpretado por nosso subconsciente como “Deixe de ler”. E o pior é que muitos estão viciados em frases como “não perca”, “não se esqueça”, “não sai de casa sem ele”, entre tantas outras.
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“Normalmente, a negação surge para o leitor como um problema enquanto a afirmação surge como solução. É mais persuasivo dizer ao leitor o que ele deve fazer do que não deve fazer. Além do mais, uma frase negativa obrigatoriamente exauta o que ela mesma nega.” (fonte)
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“…o poder de um título está em seu fechamento, isto é, um bom título é aquele que, por suas características, não pode ser contestado. Ora, se criarmos um título interrogativo, na verdade, estamos pedindo para sermos questionados.” (FIGUEIREDO, Celso. “Redação Publicitária – Sedução pela palavra”, p.20)
O imediatismo da internet têm nos tornado mais impacientes. Queremos que a página abra logo, que o vídeo carregue, que o download termine, que as atualizações aconteçam… sempre, o mais rápido possível.
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Esta tendência de comportamento, que pode ser classificada como “impaciência”, mesmo sendo um traço normalmente negativo, foi tomado como conceito principal para a criação de uma campanha na Índia. Lógico que o anunciante está ligado à web: é a Airtel Broadband, fornecedora de internet por lá.
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O texto da campanha é super persuasivo e tenta criar identificação com seu target. Só que é como se eles tivessem um problema e passassem a gostar do problema, a aceitar e orgulhar-se do problema. É a união dos impacientes digitais. Dessa forma, a campanha cria uma espécie de sentimento de grupo social, no qual ou você se enquadra e se orgulha, ou você está fora. Essa postura conseguiu gerar engajamento e já existe o espírito de comunidade dos impacientes no Facebook, Flickr, YouTube e sabe-se lá onde mais.
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Confira o vídeo e, embaixo dele, a tradução do texto:
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Eles dizem que somos impacientes. Estão certos.
Você não seria? Quando se tem 1 milhão de amigos para conhecer?
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Eles dizem que estamos sempre com pressa. Nós estamos. Porque não podemos esperar a roda girar. Não podemos esperar que um VJ nos diga que música devemos gostar, não podemos esperar nossa vez chegar, o relógio tiquetaquear, o Sol nascer, o tempo chegar…
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Eles dizem que somos impacientes?
Impaciência é a nova vida.
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Viva-a com Airtel Broadband.
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Estranho, hein?
Muita gente gostou, mas tem muita gente dizendo que a tal Airtel joga baixo no mercado por lá, e que além disso, os pacotes de conexão oferecidos não são coerentes: há um limite de download de 20GB, quantidade que aparentemente acabaria em poucas horas de uso contínuo para download com a velocidade oferecida. Isso pode ser um grave problema da campanha para o pós-venda, pois usuários desatentos que contratarem o serviço poderão notar esse limite depois, gerando uma insatisfação custosa. Imagine milhares de usuários falando sobre isso na internet, dois meses depois desta campanha: adeus credibilidade da marca.
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Clique aqui e conheça o site oficial da campanha.
Enquanto muitos estão preocupados com a adaptação às novas regras ortográficas da língua portuguesa, alguns ainda abusam do estrangeirismo, sem o menor pudor e preocupação com regras. A influência do idioma inglês em nossa cultura é muito marcante e, além do vocabulário que estamos acostumados, existem muitas variações, talvez até dialetos de difícil compreensão – mesmo para quem está acostumado com português E inglês.
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Confira algumas pérolas desta influência do EN sobre o pt-BR, presentes em pontos-de-venda ao redor de nosso país:
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Brasil, um país de…?
Finalmente a Samsung apresentou em campo seu novo logo, que utiliza números em meio as letras que formam o logo da marca. Sendo assim, lê-se 54m5un6, em oposição ao tradicional Samsung. Este recurso é chamado de leet (l33t, l337 ou 1337), e difundiu-se inicialmente entre hackers, posteriormente conquistando novos adeptos. Ainda não é tão popular quanto os smileys ou estilo “miguxah” de escrever, mas a maior parte dos internautas conseguem ler l33t. Uma inovação que provavelmente busca aumentar a proximidade com o público jovem que, sendo um heavy user de internet ou não, ao menos está digitalmente incluso. Acredito ser uma das primeiras, senão a primeira, grande marca a fazer algo do tipo. Ousado.
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Foto: UOL Esporte
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ATUALIZADO: clique aqui e confira o celular da Samsung que deu origem à esta inserção!
Este slogan eu não poderia deixar de compartilhar com vocês. E mais, se eu apenas escrevesse, talvez não ficasse tão claro. É preciso pegar todo o contexto da embalagem, as cores, a tipologia, as ilustrações… mas o slogan, ele sim, deixaria orgulhoso qualquer redator. Qualquer redator que goste, ame, seja apaixonado, não viva sem redundâncias e hipérboles.

Produto japonês, slogan paraguaio-made-in-china.
Caixa baixa e apenas tipos. É assim que se apresenta a peça de jornal da Visa, parte integrante da campanha “Go”. Há algum motivo para a escolha de minúsculas ou é apenas design por design? Prejudica a leitura ou não? Se o vídeo é tão rico em apelo emocional visual, por que optaram por alltype para mídia impressa?
Na versão impressa o “Go” confunde menos do que no vídeo. Mesmo assim, indiretamente a Gol linhas áreas pode estar se beneficiando, mesmo que a audiência não perceba: a marca pode ser lembrada e os valores de confiabilidade e até mesmo o relacionamento criado com a campanha institucional podem agregar valor à Gol.





















