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Há alguns anos o software Corel Draw vem sendo discriminado por usuários de seu principal concorrente, o Adobe Illustrator. O “Corel”, como é conhecido entre os designers e diretores de arte, tem fama de ser um programa de sobrinhos, de amadores, de estagiários de gráfica fundo-de-quintal.

Apesar dessa má fama, ele ainda é um software muito competente, com diversos aspectos interessantes. O ponto mais criticado, sua estabilidade, tem melhorado com suas últimas versões. Há três meses foi lançada a décima quinta versão do software, chamada Corel Draw x5, com diversas funcionalidades novas e relevantes.

Quando eu pensei que eles caminhavam num rumo bacana… eis que me deparo com um anúncio, na revista INFO exame de maio (ed. Abril). Fiquei chocado com a barbárie! Destruíram toda a credibilidade que tinham. O uso dos quadrinhos é super legal, acho válida a ideia. Agora, a ambientação numa barraquinha de camisetas, o super-herói desastrado (ridículo!), o vendedor de franja esquisita e o texto que dá a entender que qualquer um, “que comece do zero”, conseguirá bons resultados… tudo isso fez deste anúncio uma bomba. Resta saber o que se passou na mente de quem criou e, pior ainda, de quem aprovou este anúncio.

Confira, clicando na imagem para aumentá-la:

anuncio corel draw x5 - revista info

Para aliviar o tom de críticas, quem ainda não entrou em contato (ou não reparou) na utilização inteligente das embalagens de açúcar União, os sachês, pode conferir na imagem abaixo. A inovação está em utilizar a embalagem como condutora de mensagens motivacionais, que vinculam a marca ao estímulo das mensagens. Se pensarmos que a maior parte das pessoas pegará um sachê desses quando estiver tranquilamente querendo adoçar seu café… foi coerente e inteligente. As mensagens são piegas, mas cumprem seu papel. Clique na imagem para aumentá-la:

acucar uniao saches com mensagens

Uma quitanda, ou melhor, mercado de vegetais do Espírito Santo, aprovou uma campanha super ousada, despojada e criativa. Trata-se de sátiras vegetais com nomes de grandes sucessos de Hollywood, como “Melão Rouge” e “Pimentão Valente”.

Pode ser considerada uma campanha que acompanha as recentes tendências de sustentabilidade, pois a campanha é toda verde. Tá, a piada foi ruim, mas a campanha, feita pela agência MP Publicidade foi bem legal.

Intitulada “Aqui a natureza é a estrela”, esta campanha não é novidade para alguns, mas para quem ainda não viu, vale a pena conferir!

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Este anúncio provavelmente é do tipo “tapa-buraco”, quando temos uma página sobrando para fechar a revista. Seja por falta de matéria, seja por saída imprevista de um anunciante. De qualquer forma, o que me chamou a atenção foi a pobreza do texto. Quem fez este anúncio? Teria sido o núcleo jovem da editora? A agência Salve?
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Sejá lá quem criou esta peça, a mente criativa provavelmente não é de um redator publicitário. Qualquer redator que não tenha comprado seu diploma de publicitário sabe que não se deve utilizar a palavra “não” na assinatura, a frase imperativa, o call to action, a frase em que dizemos diretamente ao consumidor o que ele deve fazer.
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Não deixe de ler! Não o quê? Deixo o quê?

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Algumas teorias afirmam que o cérebro tem dificuldade em entender o “não”. Imagine se alguém fala para você “não pense na cor azul!”, você já pensou. Ou, entre alpinistas: “não olhe pra baixo!”, já viu essa cena? Da mesma forma que não podemos criar títulos interrogativos com resposta “sim” e “não”, do tipo “você não adoraria passar suas férias nesta linda praia?” – o target pode pensar “não.” e ignorar o anúncio.
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Sendo assim, “Não deixe de ler” pode ser interpretado por nosso subconsciente como “Deixe de ler”. E o pior é que muitos estão viciados em frases como “não perca”, “não se esqueça”, “não sai de casa sem ele”, entre tantas outras.
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“Normalmente, a negação surge para o leitor como um problema enquanto a afirmação surge como solução. É mais persuasivo dizer ao leitor o que ele deve fazer do que não deve fazer. Além do mais, uma frase negativa obrigatoriamente exalta o que ela mesma nega.” (fonte)
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“…o poder de um título está em seu fechamento, isto é, um bom título é aquele que, por suas características, não pode ser contestado. Ora, se criarmos um título interrogativo, na verdade, estamos pedindo para sermos questionados.” (FIGUEIREDO, Celso. “Redação Publicitária – Sedução pela palavra”, p.20)

O imediatismo da internet têm nos tornado mais impacientes. Queremos que a página abra logo, que o vídeo carregue, que o download termine, que as atualizações aconteçam… sempre, o mais rápido possível.
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Esta tendência de comportamento, que pode ser classificada como “impaciência”, mesmo sendo um traço normalmente negativo, foi tomado como conceito principal para a criação de uma campanha na Índia. Lógico que o anunciante está ligado à web: é a Airtel Broadband, fornecedora de internet por lá.
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O texto da campanha é super persuasivo e tenta criar identificação com seu target. Só que é como se eles tivessem um problema e passassem a gostar do problema, a aceitar e orgulhar-se do problema. É a união dos impacientes digitais. Dessa forma, a campanha cria uma espécie de sentimento de grupo social, no qual ou você se enquadra e se orgulha, ou você está fora. Essa postura conseguiu gerar engajamento e já existe o espírito de comunidade dos impacientes no Facebook, Flickr, YouTube e sabe-se lá onde mais.
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Confira o vídeo e, embaixo dele, a tradução do texto:
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Eles dizem que somos impacientes. Estão certos.
Você não seria? Quando se tem 1 milhão de amigos para conhecer?

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Eles dizem que estamos sempre com pressa. Nós estamos. Porque não podemos esperar a roda girar. Não podemos esperar que um VJ nos diga que música devemos gostar, não podemos esperar nossa vez chegar, o relógio tiquetaquear, o Sol nascer, o tempo chegar…
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Eles dizem que somos impacientes?
Impaciência é a nova vida.

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Viva-a com Airtel Broadband.

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Estranho, hein?

Muita gente gostou, mas tem muita gente dizendo que a tal Airtel joga baixo no mercado por lá, e que além disso, os pacotes de conexão oferecidos não são coerentes: há um limite de download de 20GB, quantidade que aparentemente acabaria em poucas horas de uso contínuo para download com a velocidade oferecida. Isso pode ser um grave problema da campanha para o pós-venda, pois usuários desatentos que contratarem o serviço poderão notar esse limite depois, gerando uma insatisfação custosa. Imagine milhares de usuários falando sobre isso na internet, dois meses depois desta campanha: adeus credibilidade da marca.
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Clique aqui e conheça o site oficial da campanha.

Enquanto muitos estão preocupados com a adaptação às novas regras ortográficas da língua portuguesa, alguns ainda abusam do estrangeirismo, sem o menor pudor e preocupação com regras. A influência do idioma inglês em nossa cultura é muito marcante e, além do vocabulário que estamos acostumados, existem muitas variações, talvez até dialetos de difícil compreensão – mesmo para quem está acostumado com português E inglês.

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Confira algumas pérolas desta influência do EN sobre o pt-BR, presentes em pontos-de-venda ao redor de nosso país:

Gloriosa influência em nossa língua Gloriosa influência em nossa língua Gloriosa influência em nossa língua Gloriosa influência em nossa língua
Gloriosa influência em nossa língua Gloriosa influência em nossa língua Gloriosa influência em nossa língua Gloriosa influência em nossa língua
Gloriosa influência em nossa língua Gloriosa influência em nossa língua Gloriosa influência em nossa língua Gloriosa influência em nossa língua
Gloriosa influência em nossa língua Gloriosa influência em nossa língua
Brasil, um país de…?

Este slogan eu não poderia deixar de compartilhar com vocês. E mais, se eu apenas escrevesse, talvez não ficasse tão claro. É preciso pegar todo o contexto da embalagem, as cores, a tipologia, as ilustrações… mas o slogan, ele sim, deixaria orgulhoso qualquer redator. Qualquer redator que goste, ame, seja apaixonado, não viva sem redundâncias e hipérboles.

"Naturalmente Natural" - diz SeuCreyson-San

Produto japonês, slogan paraguaio-made-in-china.
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